Pessoas diferentes, mas iguais

sexta-feira, 10 de julho de 2009


"- É um estranho paradoxo. Estou mais perto do fim da minha vida do que jamais estive... mas sinto, mais do que nunca, que tenho todo o tempo do mundo. Quando era mais jovem, havia necessidade de certeza. Eu precisava chegar ao fim do caminho.
- Sei o que quer dizer. Eu me lembro que pensava "Um dia, aos 30 e poucos anos, talvez tudo irá, de algum modo, se acomodar, parar. Simplesmente acabar."
- É como se houvesse um platô me esperando. Eu estava escalando. Quando eu chegasse ao topo... Mas isso não aconteceu, ainda bem. Na juventude, não levamos em conta a nossa curiosidade. Isso é que é incrível de sermos humanos.

- Sabe o que Benedict Anderson diz sobre a identidade? Ele fala sobre, digamos, uma foto de bebê. Você pega uma imagem bidimensional e diz: "Sou eu". Para ligar o bebê dessa imagem estranha a você, no presente é preciso criar uma história. "Esta sou eu quando tinha 1 ano. Depois, tive cabelos compridos... e depois nos mudamos para Riverdale, e aqui estou." Então, a história necessária
é, na verdade, uma ficção para tornar você e o bebê idênticos. Para criar sua identidade.
- O engraçado é que nossas células se regeneram totalmente a cada sete anos. Já fomos várias pessoas diferentes. E, no entanto, sempre permanecemos sendo, em essência, nós mesmos."

do filme "Waking Life"

Esse eu vou ver na estreia, com certeza!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Nos EUA, dia 14 de agosto. Por aqui, sem previsão.

Cuidado com as comédias românticas

Do blog Nem Lolita Nem Balzaca:

Costumava encontrar com muita frequência a Ninha, amiga da minha mãe, nas salas de cinema. Volta e meia, a gente se cruzava entre um começo ou um final de alguma comédia romântica. (Sim, eu adoro esses filmes de mulherzinha).

Ninha morreu faz alguns anos, mas sempre lembro de uma frase que ela dizia, brincando, pra mim:

- Tríssia, tu deves parar de ficar vendo esses filmes... Hollywood acabou com a minha vida.

Ela era viúva e jovem - e um pouco dramática também! Dizia que, por causa desse mundo fantasioso da telona, era difícil se encantar com um relacionamento. Ela não queria só mais um beijo de alguém. Queria que, ao ver o homem se aproximar, o cabelo tremulasse ao vento, em um dia ensolarado, ele chegasse lentamente, inclinasse o corpo sobre ela e, aí sim, a beijasse.

- Mas isso não acontece na vida real - sentenciava.

Agora, acabo de ler que pesquisadores escoceses, da Universidade Heriot-Watt, constataram que as comédias românticas made in Hollywood podem prejudicar as relações amorosas, porque criam expectativas muito altas nos parceiros.

Segundo os estudiosos, que são psicólogos, esses filmes transmitem uma falsa sensação de relacionamentos perfeitos e criam desejos nada realistas. Como os argumentos são, quase sempre, pouco plausíveis e os finais felizes bem improváveis, o processo de encantamento também é encurtado e dá impressão de ser esse o ritmo natural de entendimento entre todos os parceiros do universo.

Uma das conclusões que esses especialistas chegaram foi de que aqueles que costumam assistir a esse gênero reclamam mais de uma falta de comunicação eficaz com seus parceiros. Seria reflexo da ideia de que, em uma relação perfeita, é o próprio companheiro quem deve se encarregar de prever todas as necessidades do outro.

Ok, isso parece um exagero. Só que alguns são mais influenciados do que outros pela forma com que a TV ou o cinema retratam os amores e desamores. E a ideia de que é necessário investir tempo e energia em uma relação não chega a ser popular entre os cineastas hollywoodianos.

Os filmes até refletem a emoção que acompanha uma nova relação, mas dão a entender erroneamente que a entrega amorosa e a confiança acontecem desde o momento que duas pessoas se conhecem - quando, na verdade, às vezes vão sendo descobertas com as delícias da convivência diária.

There is only so much we can take when we are by ourselves

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Acho que finalmente caiu a ficha. Acredito que esse final de semana foi a primeira vez que eu saí sem ter qualquer pessoa na minha cabeça. Faltam algumas semanas para completar um ano, mas dilui-se o resto de dúvida/esperança no meu pensamento. Além disso, não estou enrolado com ninguém no momento, somente algumas leves possibilidades futuras, nada sério nesse instante. E aconteceu de ter duas festas interessantes.
Descobri que gosto de sair pra dançar. E só volto pra casa quando as pernas começam a mostrar sinais de cansaço e olha que eu tenho corrido! Tocando música boa, não tem porque ir embora logo. Óbvio que não sou o cara mais coordenado do mundo, nem sei dançar tão bem assim, mas é ótimo esquecer do resto e tentar sintonizar com o ritmo. Para quem está acostumado a ficar pensando em mil coisas ao mesmo tempo, se concentrar na batida é um grande exercício de relaxamento mental.
Uma multidão pulsando na mesma vibração e, entre todos, vários casais. Só de olhar dá pra perceber quais foram formados na noite e quais já vem de fora da festa. Enquanto uns são só amassos, nos outros percebe-se trocas de olhares, mãos cúmplices e movimentos de intimidade. Para esses, estar na festa é mais um detalhe da noite, o objetivo é a companhia. Isso faz falta. Não sei sair na noite pra caçar. Também porque não tenho interesse nenhum em simplesmente beijar por beijar. Eu quero o olho no olho, a mão na mão, o coração batendo no mesmo ritmo.
E vamos deixar bem claro que também não me acho o tipo de cara que faria sucesso na noite. Até tenho me achado mais legalzinho ultimamente, mas não tenho a cara nem o corpo para ser a primeira nem a segunda opção de alguém na balada. Sou um cara sorridente, divertido, engraçado, inteligente, o que pode ser bom numa conversa de bar ou num grupo de amigos, mas não em um local escuro e com música alta. Sempre me achei um acquired taste, no início é meio estranho, mas quando você se acostuma você começa a achar bom. Sei também que sou meio convencido e já digo isso antes de dizer que acredito que sou uma pessoa muito interessante para conversar. Bem humorado, sei de vários assuntos, tenho muitos interesses nas áreas mais diferentes. Acho que consigo fazer brotar um sorriso na grande maioria das pessoas ao meu redor.
Para a minha surpresa, tenho percebido olhares femininos na minha direção! Na academia, no estádio de futebol, no shopping... Acho que é uma experiência nova para mim, tanto que nem sei o que fazer quando percebo. Claro que não acontece todo dia, mas dá um upgrade na autoestima. É um círculo virtuoso, porque quanto mais isso acontece mais eu me sinto bem, o que atrai mais olhares, e me motiva mais para ir para a academia e continuar sorrindo.
Então, para resumir, comecei essa semana carente. Sou um cara legal, engraçado, companheiro para festas e indiadas. Não sou o mais lindo do mundo, mas pra feio eu não sirvo. Quero alguém para andar ao meu lado, dançar à minha frente e me puxar quando eu ficar pra trás. Posso não ser o par perfeito de alguém, mas garanto que sou uma pessoa ímpar!

Reflexões do Final de Semana

domingo, 5 de julho de 2009

"Querido Jeremy,

nos últimos dias, aprendi a não confiar nas pessoas.E estou feliz por ter falhado. Às vezes dependemos dos outros como um espelho, para nos definir e dizer quem somos.
E esse reflexo me faz gostar de mim mesma um pouco mais.

Elisabeth."

Norah Jones - Um Beijo Roubado